AGENDA 2030 E (DES)IGUALDADE DE GÊNERO: CONTRIBUIÇÕES PARA UM JUDICIÁRIO 50-50 NO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

2030 AGENDA AND GENDER INEQUALITY: CONTRIBUTIONS TO A 50-50 JUDICIARY IN THE BRAZILIAN STATE OF RIO GRANDE DO NORTE

Autores

  • Alba Paulo de Azevedo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte (TJRN)

Palavras-chave:

Agenda 2030, Desenvolvimento Sustentável, Igualdade de Gênero, Políticas Públicas, Transversalidade

Resumo

O presente artigo analisa formas de superação da desigualdade de gênero, no âmbito do Poder Judiciário do Rio Grande do Norte, para o alcance do ODS 5, da Agenda 2030 da ONU. Demonstra que a proteção do direito ao futuro igualitário entre homens e mulheres, arrimado na sustentabilidade, exige uma visão multifacetada, integrada e universal, onde se entrelacem as dimensões social, ética, ambiental, econômica e jurídico-política, sob o manto da responsabilidade compartilhada. Numa abordagem qualitativa, por meio de uma pesquisa bibliográfica, identifica os papéis de gênero, enquanto frutos de uma construção histórica patriarcal e sua interferência na distribuição equânime de poder. Sublinha o princípio da transversalidade de gênero como essencial nas políticas públicas que fomentem a plenitude da cidadania feminina e aponta possíveis medidas para a concretização dos direitos das mulheres, de um modo justo e inclusivo.

 

Abstract

This paper analyzes ways of overcoming gender inequality, within the scope of the Judiciary of Rio Grande do Norte, in order to achieve SDG 5, of the UN 2030 Agenda. It demonstrates that the protection of the right to an egalitarian future between men and women, based on sustainability, requires a multifaceted, integrated and universal vision, where the social, ethical, environmental, economic and legal-political dimensions are intertwined, under the cloak of shared responsibility. In a qualitative approach, through a bibliographical research, it identifies the gender roles, as fruits of a patriarchal historical construction and its interference in the equitable distribution of power. It underlines the principle of gender transversality as essential in public policies that promote the fullness of female citizenship and points out possible measures for the realization of women's rights, in a fair and inclusive way.

 

Keywords: 2030 Agenda. Sustainable Development. Gender Equality. Judicial Power. Public Policy. Transversality

Biografia do Autor

  • Alba Paulo de Azevedo, Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte (TJRN)

    Mestra em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Professora da Escola da Magistratura do Rio Grande do Norte. Membro do Colegiado do Programa de Residência Judicial da ESMARN, em convênio com a UFRN. Juíza de Direito do TJRN. Autora do livro “Processo penal eletrônico e direitos fundamentais”, publicado pela Juruá Editora.

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Publicado

14-12-2022

Edição

Seção

Caderno Suplementar Especial